Maricá/RJ,

Galeno Amorim deixa a Fundação Biblioteca Nacional

Brasil que Lê - 27/03/13 


Após dois anos à frente da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), Galeno Amorim acertou sua saída do cargo em reunião com a ministra da Cultura, Marta Suplicy, na noite da última terça-feira, em Brasília. Na oportunidade, Amorim apresentou à ministra o projeto finalizado de recuperação e revitalização da Biblioteca Nacional.

A seguir, Galeno Amorim fala sobre seu trabalho à frente da FBN e sobre sua saída da Fundação:

Gestão

Foi amplamente positiva, dentro de um quadro de grandes desafios e dificuldades. A BN passou a abrir nos finais de semana e feriados e aumentou o número de visitantes para 0,7 milhão por ano. A digitalização aumentou de um para nove milhões de páginas, tendo a Hemeroteca Digital como destaque com 900 títulos na internet. Criamos o Centro Internacional do Livro, que colocou os livros e a literatura do Brasil no mundo. Demos um passo importante, ao reorganizar os programas do livro, leitura, literatura e bibliotecas num só lugar, para a criação de uma instituição exclusiva para cuidar dessas políticas. O mais importante, porém, foi entregar pronto para a ministra o projeto BN+200, um conjunto de intervenções no prédio-sede e a implantação do novo prédio da BN na zona portuária, que preparará a Biblioteca Nacional para mais 200 anos. E o mais importante: projetos executivos sendo finalizados para as licitações e recursos viabilizados (R$ 76 milhões, com uma parcela disso, do BNDES, já em caixa).

Motivo da sua saída

Cumpri um ciclo na FBN. Fui convidado pela ministra Ana de Hollanda e era natural, com a chegada de uma nova ministra e a consequente reorganização da equipe, que ocorressem mudanças em cargos chaves. A saída deveria, inclusive, ter ocorrido antes, mas acertarmos de permanecer um tempo mais para concluir o projeto BN+200, que entreguei à ministra no meu último dia e será o momento mais importante da história da BN desde a construção do seu prédio sede. Nesse tempo, articulei os apoios necessários, inclusive com a contratação de uma ampla equipe de especialistas mobilizada pela FGV, e iniciei a reestruturação da equipe.

A saída

Saio com a consciência de dever cumprido. Me dediquei pelo menos 12 horas diárias, mais fins de semana e feriados, nos últimos dois anos. Procurei dar o melhor de mim e é um privilégio poder ter servido, nesse cargo, à Nação e à nossa gloriosa BN, tendo dado a minha contribuição, assim como ex-presidentes fizeram e futuros farão.

DLLLB x FBN

Procurei compensar o trabalho extra ampliando a equipe, descentralizando a execução de projetos e, sobretudo, aumentando minha própria carga de trabalho, de não menos de doze horas diárias. A questão é que havia e há um acúmulo de problemas crônicos, já que a última grande reforma foi na década de 1980. O ar que criou uma crise em 2012 era dos anos 1950. Já no primeiro ano, fiz um amplo diagnóstico dos problemas e passei a criar formas de viabilizar um grande investimento, o que costuma levar tempo. Logo se percebeu que uma reforma modesta não resolveria o problema e que era preciso mobilizar recursos e especialistas para a maior intervenção desde a inauguração do prédio. Uma segunda sede para a BN, inclusive, está em vias de começar a ser implantada. As obras no prédio-sede se iniciam em maio e no Porto Maravilha, em agosto. A reorganização da DLLLB foi uma contribuição importante para a criação da nova instituição para a área, o que é tanto fundamental quanto urgente.

Relação com servidores

A relação com os servidores foi altamente positiva e produtiva. Criei um sistema de reuniões mensais com os funcionários, semanais com os representantes das áreas e uma agenda permanente de diálogo com a Associação dos Servidores e as chefias, além de uma comunicação interna diária, para dar clareza e transparência à gestão. Nada menos do que 350 participaram da pesquisa em fevereiro para apontar os novos rumos da instituição no projeto BN+200. Talvez tenha demorado para intensificar a comunicação interna.

Situaçao da BN

A BN tem grandes desafios em várias áreas e precisa realmente de uma intervenção forte. Não bastam ações pontuais. Só agora, por exemplo, estamos fazendo os testes finais para por em funcionamento o sistema wi-fi e instalar o primeiro DataCenter da história da instituição, em implantação desde 2012. Estamos acabando este mês o projeto executivo para toda a reforma elétrica do prédio, onde, ainda hoje, em plena era do conhecimento, os pesquisadores não podem ligar um notebook. Vi isso de início e comecei os procedimentos necessários para mudar o quadro. Em poucos meses, esses resultados aparecerão.

Novo perfil do público

As instituições vêm mudando seu perfil. No entanto, conseguimos fazer crescer a visita à Biblioteca Nacional, abrindo nos finais de semana e com mais exposições. Mas é nítida a migração dos pesquisadores para nossa área digital, que cresceu muito nos últimos dois anos. Há determinadas áreas na BN Digital com milhões de visitantes do mundo todo. O desafio da BN é torna-la principalmente um local para visitantes, e o segundo prédio destinar especialmente à guarda e proteção da maior parte do acervo.

O novo presidente

Desejo todo o sucesso do mundo ao novo presidente da FBN e, desde já, me coloco a sua disposição para a transição. Estou confiante de que fará um bom trabalho. O maior desafio da BN hoje é por o pé no futuro e se preparar para os próximos 200 anos.

Nova diretora executiva

Convidei a Maristela Rangel há meses, mas ela estava em Brasília e precisou de um tempo para reorganizar a vida e retornar ao Rio. Trouxe ela e outras pessoas para imprimir um perfil de gestão mais forte para os desafios da BN, com obras nesse e nos próximos anos. É um excelente quadro.

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