Como escolher o melhor livro para crianças de diferentes idades?
COMO ESTIMULAR O HÁBITO DE LEITURA NAS CRIANÇAS.
UMA ARTE QUE CORRE PELO CORREIO
A Arte Postal surgiu na década de 1960, nos Estados Unidos, mas só se tornou um movimento com repercussão internacional 10 anos depois, quando foi se formando uma rede através da qual poetas do mundo inteiro puderam se comunicar.Sobre o Patrono da Biblioteca Monteiro Lobato
Faleceu em 4 de julho de 1948, em São Paulo, deixando obras tanto para crianças e adolescentes quanto para adultos. Modernizou a indústria editorial brasileira, lutou pela preservação do nosso petróleo e por um Brasil mais moderno.Um milhão de crianças fora da escola
As razões da evasão precoce são muitas. As mais frequentes, porém, são a falta de interesse (falha pedagógica dos educadores), repetência, gravidez precoce e o imperativo de ingressar no mercado de trabalho para ajudar a família.RUBEM BRAGA (1913-1990) - Um cronista atemporal
BIBLIOTECAS E LIVROS
História da Capoeira
A capoeira é ao mesmo tempo uma
luta e uma arte. Mas você sabia que durante muito tempo a capoeira foi proibida
no Brasil? Quem vê crianças pequenas jogando capoeira nas escolas ou Rodas de Capoeira
com a apresentação de grandes mestres nem pode imaginar que essa conhecida
forma de expressão das raízes
negras era mal vista e considerada perigosa.O gingado é a base da capoeira. É um movimento ritmado que mantém o corpo relaxado e o centro de gravidade em constante deslocamento. A partir do gingado surgem os outros movimentos de ataque ou contra-ataque. Os jogadores nunca estão parados e isso torna a capoeira muito bonita de se ver.
FONTE: http://educacao.uol.com.br/cultura-brasileira/capoeira-origem.htm
Um Novo Modo de Ler
Em nossa modernidade, entretanto, a forma codex (escrita unidirecional, páginas organizadas em cadernos e costuradas), depois chamada livro, impôs-se aos usos e aos espíritos como locus do conhecimento centrado, da leitura que constitui pastoralmente a cidadania, da produção do sentido e do real medidos pela escala do humanismo. O livro é a melhor das metáforas para a educação, para o conhecimento que, no passado fordista, garantiu a ascensão social dos estratos mais pobres e sem o qual não se pode hoje conceber dinâmica de crescimento econômico. Tal é horizonte em que o livro foi olhado pelos pobres como tábua de salvação.Leituras
Leituras
Contar histórias: uma Arte Imortal.
Ana Lúcia Merege
Nos últimos anos, a arte de contar histórias vem sendo retomada não apenas por terapeutas e educadores, mas por pessoas de todas as formações, de várias camadas da sociedade, que se reúnem para partilhar sabedoria, afeto e energia através das narrativas.
Para faze-lo, não há regras: o melhor é usar o coração e a intuição, além da experiência que só se adquire através do tempo. No entanto, uma discussão acerca do que significa contar histórias e do que é necessário para isso pode nos levar a alguns pontos interessantes.
Em primeiro lugar, é preciso saber que contar histórias é uma arte popular. Uma aproximação excessivamente acadêmica e/ou sofisticada pode esvaziar o conteúdo emocional da narrativa, deixando o público pouco à vontade. Da mesma forma, deve-se ter em mente que, embora o ato de contar histórias possa se inserir numa proposta terapêutica ou num projeto pedagógico, não se pode agir de forma mecânica, apenas para cumprir um dever ou para ensinar o que quer que seja, de regras gramaticais a valores doutrinários. As histórias devem ser contadas por e com prazer. Se não, nem vale à pena começar.
O background cultural do narrador e a sua familiaridade com as histórias também são importantes. Ao narrar um conto maravilhoso, por exemplo, é muito mais importante conhecer e ser capaz de visualizar o cenário em que ele se desenvolve do que saber as palavras exatas. Saber de onde vem a versão que se está narrando é bom, mas melhor ainda é saber trabalhar, criativamente, com os elementos fornecidos pela narrativa, e ser capaz de levar o público a se identificar e se interessar por ela.
A escolha do repertório é fundamental para um contador de histórias. Segundo Sawyer, mesmo os contadores mais experientes encontram dificuldades com alguns textos e mais facilidade com outros, sugerindo que se trabalhe com três tipos básicos de material: literatura popular (onde se incluem os contos de fadas),contos literários e trechos de livros (Sawyer,1990,p.153). Para ela, a literatura popular é a mais fácil de trabalhar, pois tem uma linguagem universal e uma estrutura narrativa simples. A opinião é partilhada por Ribeiro, segundo o qual “por mais que os requintes e lançamentos literários sofram um constante aperfeiçoamento (...) a literatura infanto-juvenil continuará tendo a sua faceta mais atraente na literatura de tradição oral e mais propriamente nos contos de fadas” (Ribeiro,2002, p.14-15). Mesmo para um público de adultos (ou misto) essas histórias jamais perdem seu encanto, sendo no entanto aconselhável que o narrador a estude previamente, conhecendo-a bem, a fim de ser capaz de transmitir todas as nuances contidas em cada trecho e em cada elemento da narrativa.
A propósito desse assunto, é preciso esclarecer que existem diferenças entre contar, ler e representar histórias, embora todas elas envolvam uma preparação e uma performance mais ou menos elaborada. A forma como se vai trabalhar depende de nossos gostos, de nosso estilo, de nosso objetivo... e, antes de tudo, de nossa sensibilidade. De qualquer forma, o narrador se beneficiará do domínio de algumas técnicas de voz e expressão corporal, bem como – mais uma vez – do conhecimento profundo da história e dos personagens. A sutileza é sempre preferível ao exagero. Como diz Busatto, “o Lobo Mau não precisa falar grosso para demonstrar sua ferocidade (...). O que podemos carregar do teatro é justamente a intenção que carrega um ritmo preciso” (Busatto, 2003, p.76).
A partir daí, tudo se torna uma questão de tempo, de paciência, de experimentação e, porque não dizer, de ousadia por parte do narrador, que irá acertar e errar muitas vezes ao logo de sua trajetória. No entanto, se for essa a sua vocação, ele irá persistir... uma vez que, para o verdadeiro contador de histórias, o ato de narrar é parte inseparável da vida.
Contar histórias não é um ato apenas intelectual, mas espiritual e afetivo. Por isso, as melhores histórias são as que contamos espontaneamente, a partir do que carregamos em nossa bagagem de cultura e de experiência de vida. Independente de qualquer sentido, contar histórias pressupõe antes de tudo a vontade de falar do que se sabe, de doar sabedoria e conhecimento, de passar adiante aquilo que se aprendeu. Mais simplesmente ainda: contar histórias é aumentar o círculo. E, mesmo na falta de uma fogueira ou das lareiras de nossas avós, podemos faze-lo aqui e agora, partilhando nossas histórias, lançando fios invisíveis que nos unem numa só rede.
Leituras sugeridas:
BUSATTO, Cléo. Contar e encantar. Petrópolis:Vozes, 2003.
FITZPATRICK, Jean Grasso. Era uma vez uma família. Rio de Janeiro:
Objetiva, 1998.
MACHADO, Ana Maria. Como e por que ler os clássicos universais desde
cedo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.
RIBEIRO, Jonas. Ouvidos dourados. São Paulo: Ave-Maria, 2002.
SAWYER, Ruth. The Way of the storyteller. New York: Penguin Books,1990.
SIMPKINSON, Charles e Anna (org.). Histórias sagradas. Rio de Janeiro:
Rocco, 2002.
Ana Lúcia Merege - Formada em Biblioteconomia pela UNIRIO e Mestre em Ciência da Informação pelo IBICT/UFRJ. Trabalha na Biblioteca Nacional, na Divisão de Manuscritos; escreve artigos para revistas como a “Ciência Hoje das Crianças”. Pesquisadora em Mitologia, Folclore e Literatura. Além de um livro sobre os contos de fadas: “Os Contos de Fadas: Origens, História e Permanência no Mundo Moderno”, escreveu dois romances: “O Caçador: um conto de fadas em mosaico” e “O Jogo do Equilíbrio”.
Leituras
Nagib Anderáos Neto
Quando se vê as estatísticas sobre produção e consumo de livros no país, número de livrarias e desenvolvimento do mercado livreiro nos últimos anos, chega-se à conclusão que o quadro nacional é desalentador. Uma livraria para oitenta mil habitantes; dois livros lidos por habitante por ano; duas mil livrarias em todo o país. Os números são assustadores, mesmo quando comparados com países vizinhos como a Argentina que, em números relativos, chega a ter, quase, quinze vezes mais livrarias que o nosso país.
Como reverter este quadro? O que fazer para que os jovens passem a ler mais e a matar menos o tempo em inutilidades?
Afinal, por que ler é importante?
Não falemos da literatura imprestável, dos enganadores, dos impostores, dos que vendem palavras sem conteúdo, auto-ajudas que não valem nada. Falemos das obras de qualidade que ajudam a pensar, a criar, a se comunicar.O leitor é também um criador orientado pelo autor; constrói personagens, convive com eles, extasia-se, sofre, transporta-se para outros locais e outras épocas, busca soluções, pensa, sente e vibra com o desenrolar do romance ou do conto, reflete com as reflexões do autor, amplia seus conhecimentos sobre o mundo e sobre os homens, aprende a ouvir, falar e escrever.
Através da leitura e da escrita podemos chegar a muitas partes e a muitos mundos, revisitar o passado e arrojarmo-nos para o futuro, reviver ou viver por antecipação.
Cada bom livro é uma aventura particular e única que pode ser muito útil a quem empreende esta viajem ímpar. Os livros são como os seres humanos: nascem, tem um tempo de vida e desaparecem. Podem surgir depois de muitos anos em novas edições, se forem muito bons. Há os que têm conteúdo e os vazios, os bons e os maus; os inteligentes e os ignorantes. Sua leitura pode ajudar a leitura da própria vida, dos próprios dias, do próprio acontecer.
Devemos todos ler muitos livros, bons livros, e dar um exemplo para que os jovens aprendam a gostar de ler.
Há um livro, em especial, ao qual devemos dar a máxima atenção a cada dia de nossa existência: o nosso próprio livro, o livro de nossa vida, aquele que vamos escrevendo e lendo a cada dia, no qual somos autores e personagens, onde ficará consignada a nossa trajetória humana nesta breve passagem pela Terra, o livro dos livros, o livro da vida, a obra pessoal que cada um de nós pode e deve realizar
Nagib Anderáos Neto – é engenheiro e escritor
Leituras

LEITURA: UMA PROBLEMÁTICA
Oeni Custódio Marins
O prazer da leitura é um caminho barato e ajuda as pessoas a melhorar suas capacidades cognitivas em todos os sentidos. Desenvolve o conhecimento em geral, nos dá subsídios para refletir sobre o mundo e condição humana, em um mergulho profundo na problemática existencial do homem.
Uma pesquisa divulgada pelo National Endowment for Arts, fundação americana dedicada à promoção da cultura, conclui que quem lê regularmente por prazer tem uma vida muito mais ativa e bem sucedida do que aqueles que preferem passar o tempo livre vendo televisão ou dedicando-se a outras atividades que não exigem raciocínio. Para os primeiros, a vida é uma sucessão de novas experiências e de ampliação dos horizontes. Para quem se enquadra no segundo caso, a maturidade torna-se um processo de atrofia mental. “A informação está cada vez mais ao nosso alcance, mas a sabedoria, que é o tipo mais precioso de conhecimento, só pode ser encontrada nos grandes autores da literatura. Esse é o motivo pelo qual devemos ler”, disse a VEJA o americano Harold Bloom¹, o mais importante crítico literário em atividade.
O bombardeio de informações é estonteante, mas a informação se mede por qualidade e não quantidade. Por isso, temos às vezes a sensação ao chegar no final do dia, que vivemos todos imersos em uma sociedade caótica. Sendo assim, os prazeres intelectuais, as diversões, a espiritualidade, ficam em um segundo plano, secundário ou até mesmo esquecidos.
O americano Mark Edmundson, professor de língua inglesa da Universidade de Virgínia e autor do livro Why Read? (Por que ler?) desenvolve a tese de que a leitura “é a segunda chance que a vida oferece para o nosso crescimento pessoal” ². Durante a infância e a adolescência, segundo ele, passa-se por um processo de socialização. Aprende-se o que é certo e o que é errado com os pais e os professores e se começa agir de acordo com o senso comum. Depois, é a leitura que nos permite desenvolver idéias próprias, conceitos e valores.
Não se trata, portanto, simplesmente de ensinar alguém a decodificar um código qualquer de comunicação, muito além, trata-se de fazer o sujeito ser capaz de verificar que o texto reflete na própria vida e os problemas lidos são atinentes ao seu tempo, pois a leitura não tem época, já que é atemporal e também situa além de qualquer espaço perfeitamente delimitado. A literatura, como arte generaliza e nos coloca dentro do problema que discute.
Referência Bibliográfica:
(1) Revista Veja. “Os donos de si”. Editora Abril, edição 1868, ano 37, nº 34, 25/08/2004, p.96)
(2) - Idem
Oeni Custódio Marins - Professora de Leitura, Graduada em Língua Portuguesa pela Universidade do Sagrado Coração/SP e com especialização em Educação.
Leituras
Luiz Lyrio
Na antiguidade, somente um grupo seleto que servia os interesses dos poderosos sabia ler. O acesso à leitura e ao saber era privilégio de poucos, enquanto a imensa maioria da população, analfabeta e ignorante, era presa fácil da manipulação das elites.
Passados seis milênios de Civilização, o saber ler democratizou-se e acabou tornando-se habilidade também das ditas “classes inferiores”. Num primeiro momento, o acesso à leitura pelos dominados trouxe grandes prejuízos para os donos do poder. As “classes inferiores” passaram não só a absorver, como também a produzir saber. Desvendando a crueldade do jogo sórdido que os condenava à miséria e à submissão, os intelectuais provenientes ou solidários às classes exploradas passaram a idealizar modelos de sociedade totalmente divorciados dos interesses dos grupos dominantes.
Entretanto, após um período historicamente efervescente, marcado por guerras “quentes” e “frias” entre ideologias que confrontavam os interesses antagônicos de dominantes e dominados, os detentores do capital obtiveram vitórias significativas. Donos, agora, de um poder globalizado e tendo em suas mãos armas bem mais destrutivas e formas bem mais complexas de controle da mente humana, as elites dominantes do século XXI passaram, então, a não se descuidar de nada, quando se trata de garantir sua hegemonia no mundo. E, além de massacres desnecessários com o único objetivo de aterrorizar quem pensar em se contrapor a eles, os donos do mundo do século XXI aperfeiçoaram formas terríveis e avassaladores de robotização do ser humano.
Hoje, uma das formas de engessamento da mente humana, é as regras impostas “para uma boa comunicação escrita”. De repente, somente textos curtos comunicam. Textos longos são considerados cansativos. Com o sucateamento do sistema de ensino destinado às “classes inferiores”, aliado aos poderes hipnóticos e subliminares da televisão e do computador, hoje, a imensa maioria das pessoas se divide em analfabetos funcionais - incapazes de interpretar o que lêem - e de semi-analfabetos por opção, que são aqueles que, ao verem um texto mais longo, partem a procura de mensagens sucintas, gravuras ou fotos.
Estamos todos submetidos à ditadura da objetividade. A enxurrada de textos curtos e objetivos ampliou, nos últimos anos, o imenso exército de criaturas humanas com conhecimento precário e superficial da realidade, e, o pior, qualitativamente desinformado.
Como não se consegue abordar responsavelmente nenhum assunto sério com poucas palavras, textos “enxutos” são secos demais. Não é à-toa que os grandes problemas do mundo atual, quando seriamente abordados, dão origem a longos tratados. Quando se quer julgar alguém que cometeu um crime, consomem-se páginas e páginas nos processos. E ninguém se forma na faculdade lendo “textículos” e folheando livros especializados, em busca de gravuras. Há um quase consenso na sociedade de que quem vai exercer qualquer tipo de poder tem que ter lido e estudado muito. Já quem está destinado a obedecer.
A leitura, como no passado, voltou a ser privilégio de um seleto grupo que serve aos poderosos. E, hoje, quem controla o poder, muitas vezes por trás dos bastidores, são assíduos leitores de tratados extensos. Alguns deles, dotados de talentos especiais, são verdadeiros mestres na elaboração de textos curtos e objetivos, que visam manipular um numeroso e acomodado rebanho, formado por analfabetos funcionais ou por pessoas que, simplesmente, "não gostam de ler".
Luiz Lyrio – professor e escritor.
Contatos: www.lyr.myblog.com.br ou revistalo@yahoo.com.br






